Os segredos da comunicação eficiente de Jobs e Luther King

By 4 de julho de 2016 Notícias No Comments

Depois de estudar minuciosamente dois tipos bastante distintos de discurso, o de Steve Jobs, no lançamento do iPhone em 2007, e o de Martin Luther King Jr., pela igualdade de direitos e o fim do racismo em 1963, a designer Nancy Duarte chegou a alguns insights. Ela entendeu por que ambos são exemplos do mais alto nível de comunicação eficiente e compartilhou seus aprendizados numa inspiradora apresentação no TED. Além dela, o Lead Designer do TED, Aaron Weyenberg, e também o coach “especialista em Jobs” Carmine Gallo têm conselhos a oferecer. E o que fizemos foi selecionar os principais de cada um. Assim, não tem erro: da próxima vez que você tiver de fazer uma apresentação, lembre-se deste post e dê um show!

Estratégias de Steve Jobs

1. Expresse como você se sente
Jobs estava apaixonado por seu novo produto e demonstrava isso. “Não é incrível?”, “Veja como isso é lindo”. Ao dizer isso, sorrindo, Jobs estava estimulando as pessoas a se sentirem como ele. “E afinal, se você não se entusiasma com o que apresenta, quem mais irá?”, sugere Gallo. Portanto, para ter uma comunicação eficiente, não pense que precisa inibir seus sentimentos. Em vez disso, diga como se sente e ganhe empatia de quem te assiste.

2. Conte uma história
“Em 1984, a Apple apresentou o primeiro Macintosh. Isso não transformou só a Apple. Transformou a indústria de computadores inteira. Em 2001, lançamos o primeiro iPod. E não mudou só a maneira como ouvimos música. Mudou toda a indústria da música”. Este foi o relato de Jobs, mas no seu caso, pode ser a história de um cliente ou mesmo um depoimento seu do que antecedeu a apresentação.

3. Apresente um vilão e um herói
Jobs introduziu um problema (o vilão): “Os telefones atuais não são tão inteligentes nem tão fáceis de usar. São bem complicados na verdade. Queremos criar um produto muito mais inteligente do que qualquer outro”. Em seguida, ele convoca a solução (o herói): O iPhone e sua interface multi-touch, que “funciona como mágica. Você não precisa de uma caneta stylus. É bem mais preciso do que qualquer display touch já feito”.

Táticas de Luther King

1. Use a repetição para criar ritmo
Você pode pensar que a repetição tornaria uma apresentação enfadonha, mas o efeito no público pode ser o melhor possível, se ela for usada nos momentos certos. Especificamente, no começo das frases. Luther King iniciou sua fala nove vezes dizendo “I have a dream” (Eu tenho um sonho), e três vezes com “We can never be satisfied” (“Não podemos nos contentar”), “With this faith” (“Com essa fé”) e “Let freedom ring” (“Deixe a liberdade cantar”). Foi alternando afirmações entusiasmadas com pausas, que um dos maiores ativistas da História imprimiu ritmo ao seu discurso e marcou a memória de quem lhe assistia tanto naquela época quanto ainda hoje.

2. Recorra a metáforas e expressões visuais
Duarte aponta que, para facilitar o entendimento geral, Luther King construía frases que mais pareciam cenas. Para ilustrar a falsa promessa de prosperidade e a falta de direitos civis dos negros, disse: “Os negros vivem numa ilha solitária de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material”, “Chegou o tempo de sairmos do sombrio e desolado vale da segregação e seguir o caminho ensolarado da justiça racial”.

3. Traga referências culturais conhecidas
Sendo cristão e se referindo a um público em sua maioria cristão, Luther King não relutou em embasar suas mensagens de fé com citações do livro bíblico de Isaías. Da mesma forma, para exaltar seu desejo de liberdade, recorreu à patriótica canção “Mi país, es sobre tí”, de Samuel Smith, emblemática para os negros na época.

Mas havia um segredo em comum…

Mostrar como a situação é e como ela poderia ser. Se você buscava por um ponto de contato entre dois discursos tão brilhantes, mas distintos, saiba que a estrutura discursiva por trás de ambos, e de muitos outros discursos icônicos, é essa. Nancy Duarte explica que o embate entre “o que é” versus“o que poderia ser” é repetido inúmeras vezes ao longo das falas de Jobs e Luther King, justamente porque cria um ritmo poderoso, que mantém todos vidrados, quase como numa montanha-russa emocional.

 

Fonte: Runrun

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