Muros e pontes: a tecnologia como meio

By 14 de setembro de 2015 Notícias No Comments

Em tempos de internet das coisas e internet de tudo (nada mais que meros nomes pomposos para descrever a interatividade entre somente objetos, bem como desses com pessoas), parece que a tecnologia caminha com as próprias pernas. Cada vez menos (in)dependente do toque humano, embora tão refém de suas necessidades.

Isso pode até funcionar para algumas aplicações, ops, aplicativos – ou apps. Como aqueles pelos quais chamamos o táxi ou pedimos comida: um mínimo de interação. Porém, quando utilizamos soluções tecnológicas para ações corporativas internas ou de live marketing (também conhecido por marketing promocional), a coisa muda completamente de figura.

Bato sempre na tecla que, nesses casos, a tecnologia não é autônoma. É apenas um meio; não um fim em si mesma. Pensá-la para um evento exige pesquisa, estudo e planejamento. Tudo para que esteja alinhada ao DNA e objetivos da marca em questão.

Agora, se você pensa que basta colocar algumas das mais modernas traquitanas inteligentes para funcionar e, assim, colher resultado$, “likes” e compartilhamentos a rodo, lamento informar: a irrelevância o aguarda – possivelmente no curto, médio e longo prazos.

CEO global da Isobar, a chinesa Jean Lin (uma das raríssimas mulheres em cargos de liderança na indústria publicitária) foi precisa em sua análise sobre o comportamento do mercado em relação ao pensamento digital. Em entrevista recente ao Meio & Mensagem, cravou: “O mercado está obcecado há algum tempo pelo pensamento digital, mas a questão que não resolveu ainda é como trazer essas mensagens digitais para a vida real. Essa é a chave para o sucesso futuro das estratégias das marcas”.

Digo que a executiva foi precisa porque esse é um desafio com o qual nos deparamos quase que diariamente: fazer o cliente ou a agência parceira entenderem que a tecnologia é realmente poderosíssima, porém, ineficaz se não existirem ideias que a norteiem, deem vida. Um objetivo claro, bem definido, de ponta a ponta. E que possa ser compreendido tanto pela empresa quanto, ainda mais, pelo seu público.

Desculpe-me desapontá-lo, talvez. Mas inexiste uma solução padrão, receitas milagrosas.

Cada ação demanda uma ou diversas soluções específicas, sob medida: muita transpiração, antes de qualquer ação.

Assim como uma vírgula, uma tecnologia, inserida de forma negligente em determinada ação promocional, tem o poder de prejudicar a história. De engajar aquele prospect. De frustrar o cliente.

Em tempos de atenção ao storytelling, certamente isso é o que sua marca menos espera…

Portanto, lembre-se: tecnologia não é commodity. E a decisão de construir pontes, ou muros, está em suas mãos. Ou melhor, a cargo de suas ideias.
Por: André Brandão é sócio-diretor da Blumer 

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